A LANCHONETE DO “SEU JOÃO”

A LANCHONETE DO “SEU JOÃO”

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Tudo indica que este será um ano difícil para a economia. O que fazer para que meu negócio sobreviva às dificuldades e prospere. Em primeiro lugar, não aceite as projeções. Estude, conheça, mas não aceite. Não enfie a cabeça num buraco feito avestruz, para não ver as dificuldades. Seja diferente de seus concorrentes. Faça melhor. Nunca se satisfaça com a média do seu ramo de negócios. Estabeleça-se para lucrar.

Ilustrarei esse assunto com uma historinha, que ouvi não sei onde e sequer sei a autoria. Tentarei reescrever como lembra a memória, com minhas próprias palavras.

Um pequeno empresário, sem formação superior, se estabeleceu como comerciante junto a uma rodovia federal brasileira, no ramo de lanches rápidos. Seu João, como vamos chama-lo, foi criativo. Sua lanchonete era muito bem apresentada, limpa e iluminada. Cardápios com fotos vistosas ajudavam na escolha dos lanches. Fazia combos interessantes. Eram mais de trinta opções de lanches, acompanhados de várias alternativas de bebidas, naturais e tradicionais.

Você logo sabia quando “Seu João” estava próximo. Haviam placas informativas, a 500 metros, 400, 200, 100 metros, seguidas de uma vistosa placa “Você chegou”. Todas do tipo front light, com a iluminação destacando as opções. Funcionários devidamente treinados, em grande número, eliminavam as filas. – Quem viaja tem pressa, ensinava ele. Seu João prosperava. Construiu uma casa confortável, com uma SUV na garagem e uma pick up para o trabalho. Formou todos os três filhos. O mais velho formou-se em economia e estava nos Estados Unidos fazendo um MBA.

O retorno do filho deixou seu João eufórico. Novos conhecimentos, vindos do país mais poderoso. Quantas ideias poderia trazer para o seu empreendimento. O que ele ouviu, mudou seu negócio.
– Papai, a coisa está feia. Existe uma grande crise mundial e teremos dias realmente muito difíceis. Precisamos estar preparados.
– O que podemos fazer? – Perguntou o pai aflito.
– Precisamos reduzir custos drasticamente para que possamos sobreviver a esta crise.

Assim foi feito. Seu João mandou apagar as luzes dos front lights; retirou algumas placas; demitiu funcionários, para reduzir a folha de pagamento; diminuiu as opções do cardápio. Passou a comprar mercadorias mais baratas, de qualidade inferior, para reduzir custos, conforme conselhos do filho com MBA no exterior.

A consequência foi a diminuição gradativa dos clientes, que não eram mais atraídos pelo marketing, pela má qualidade dos lanches e pela demora do atendimento. Poucos e desavisados clientes apareciam na lanchonete.

Seu João chamou o filho e disse: Como foi importante investir no seu estudo, possibilitar que trouxesse importantes informações sobre as previsões econômicas para este ano. Você tinha toda a razão, tudo que você afirmou que iria acontecer – aconteceu.
Aos poucos clientes que apareciam, Seu João falava: – Meu filho é um gênio.

Invista naquilo que diretamente gera negócios, que faz a sua empresa dar lucro, como os custos com marketing, vendas e treinamento. Os chamados “custos estratégicos”. Gaste mais que os concorrentes. Gaste este dinheiro em tempos bons e maus. Já pensou se um gênio em redução de custos retirasse a verba de propaganda das Casas Bahia? Com certeza, reduziria os custos em milhões. E os resultados, como ficariam.

Reduza, sim, os seus custos não estratégicos, que são necessários, mas que não geram negócios de forma clara e direta.

Seja melhor do que seus concorrentes.